Se eu pudesse, nasceria de novo
E se pudesse escolher o lugar
Escolheria o fundo do teu rio
E se pudesse escolher o momento
Escolheria aquele
em que estivesses no rio submerso,
mergulhado
pois o teu rio é o teu lugar mais sagrado
pois o teu rio é o teu universo
E assim de ti colheria o teu riso
ainda que em ecos, no fundo do rio, dispersos…
Se eu pudesse, escreveria de novo a nossa história
E para que ficasse gravada para todo sempre
Na memória
Se eu pudesse
Eu nasceria de novo, como se fosse a primeira
E no momento
Do meu nascimento
Agarraria num seixo de xisto
E escreveria
primeiro na areia
E depois passaria a limpo a nossa história em verso,
num rochedo.
Se eu pudesse nasceria poema e não teria medo
Pois certamente, por ti, em forma de poema, seria amada
E converter-me
noutra coisa qualquer
Nasceria de novo
e não nasceria mulher
E em forma de poema
Talvez conseguisse
roubar-te um beijo
Se eu pudesse
Nasceria de novo
Sob a forma de poesia, de sereia
ou até mesmo de pedrinha
e nasceria
em rima, em harmonia,
em verso
pelas mãos
e num conto
ou num poema de Sophia
Se eu fosse pedrinha
Iria pedir um simples desejo
Desejaria pedir
à minha fada madrinha
Que com sua varinha de condão
Mudasse o curso do teu rio
e do meu fado
Resgatasse para mim
teu coração
Me devolvesse
ao fundo do teu rio
E que teu beijo
me corasse de surpresa
E me coroasse na areia
Com teu desejo
Tua amada
Tua princesa
Tua sereia
Se eu pudesse nascer de novo
Nasceria sob a forma de um poema
Só teu
Magda Graça
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