terça-feira, 27 de novembro de 2012

Dormi contigo toda a noite

Dormi contigo toda a noite

junto ao mar, na ilha.

Eras doce e selvagem entre o prazer e o sono,

entre o fogo e a água.

Os nossos sonos uniram-se

talvez muito tarde

no alto ou no fundo,

em cima como ramos que um mesmo vento agita,

em baixo como vermelhas raízes que se tocam.

O teu sono separou-se

talvez do meu

e andava à minha procura

pelo mar escuro

como dantes,

quando ainda não existias,

quando sem te avistar

naveguei a teu lado

e os teus olhos buscavam

o que agora

– pão, vinho, amor e cólera –

te dou às mãos cheias,

porque tu és a taça

que esperava os dons da minha vida.

Dormi contigo

toda a noite enquanto

a terra escura gira

com os vivos e os mortos,

e ao acordar de repente

no meio da sombra

o meu braço cingia a tua cintura.

Nem a noite nem o sono

puderam separar-nos.

Dormi contigo

e, ao acordar, tua boca,

saída do teu sono,

trouxe-me o sabor da terra,

da água do mar, das algas,

do âmago da tua vida,

e recebi teu beijo,

molhado pela aurora,

como se me viesse

do mar que nos cerca.

Pablo Neruda



domingo, 18 de novembro de 2012

Não preciso dizer por palavras que te amo...

Não preciso dizer por palavras que te amo

Sentes...

No meu toque em ti

No meu desejo

Beijos suaves e intensos

Eu...dentro de ti

Tu..fazes parte de mim

Nos teus gemidos de prazer

No mar...de amar que me ofereces

Nos meus carinhos

Nas tuas ondas de prazer

No meu calor

No teu vulcão...lava quente que escorre

no teu...meu corpo...

Não preciso dizer por palavras que te amo

Porque tudo em mim te revela o meu amor

A minha paixão...Toda eu em ti...

(Cris Anvago)

Sou Tua! Usas-me!



Acaricio meu corpo no calor da noite

Imagens formam em minha mente

Como se minhas mãos fossem as tuas

Percebo-as delicadas, lentas, nuas!


A sutileza dos meus pelos a se assanhar

Faz-me chegar à loucura

Passas-me a língua no rosto

Tomas minha boca, sugas-me.


Deixo-me levar! Sou tua! Usas-me!

Usas, e eu deixo! Gosto que me usas!

Exploro-te, abuso-te para meu prazer.

Conduzo-te ao meu gozo

Num forte e demorado torpor.


Bebes meu corpo, sacias tua sede!

Invade-me as entranhas, tens meus segredos.

E quando confundo teu corpo com o meu

Sinto teu leite e me aqueço em puro deleite.


Gozamos o gozo dos deuses

No amor que faz desfalecer

Aconchego-me ao meu travesseiro

Sinto teu corpo gostoso, teu cheiro.

Doce clímax de tê-lo tido por inteiro.


Luli Coutinho